A erosão da experiência e a impossibilidade do lugar:

um diálogo entre Maria Rita Kehl e Yi-Fu Tuan

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.53528/geoconexes.v6i1.217

Palabras clave:

experiência, lugar, deslugarização

Resumen

A contemporaneidade é marcada por uma sensação paradoxal de excesso de acontecimentos e profundo esvaziamento de sentido. Este ensaio teórico propõe um diálogo entre a crítica psicanalítica de Maria Rita Kehl ao conceito de “experiência” e a geografia humanista de Yi-Fu Tuan sobre a formação do “lugar”. O objetivo é demonstrar que a constituição de um ”lugar geopsíquico” — espaço dotado de valor e significado — depende de uma temporalidade que permita a elaboração simbólica da vivência, transformando o acontecimento em experiência. Argumenta-se que a aceleração do tempo, ao impor um ritmo que privilegia o estímulo e a sucessão em detrimento da reflexão e da sedimentação, atrofia essa capacidade de elaboração. Segundo Kehl, o sujeito contemporâneo acumula vivências, mas raramente as converte em experiência. Conclui-se que, sem a temporalidade da experiência, o espaço não pode ser transformado em lugar, resultando em um sujeito que habita um mundo de cenários, mas que se sente cronicamente desenraizado e ”sem-lugar”. Propõe-se, ao final, uma pedagogia da transformação que reconquiste temporalidades de cuidado e ancoragem espacial como estratégia de saúde mental coletiva.

Biografía del autor/a

Martha Priscila Bezerra Pereira, Universidade Federal de Campina Grande - UFCG

Docente do curso de Geografia da UFCG - campus Campina Grande. Bacharel em Geografia pela UFPB, Mestre em Geografia pela UFPE e Doutora em Geografia pela UNESP- campus Presidente Prudente.

Daniel Alves de Freitas, Universidade Federal de Campina Grande

Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Campina Grande

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Publicado

2026-05-29

Cómo citar

Pereira, M. P. B., & Freitas, D. A. de. (2026). A erosão da experiência e a impossibilidade do lugar: : um diálogo entre Maria Rita Kehl e Yi-Fu Tuan. Geoconexões Online, 6(1), 03–18. https://doi.org/10.53528/geoconexes.v6i1.217

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